Visão dadaísta de Ecce Homo

É raro dois post no mesmo dia, mas cá estava eu conversando com um amigo quando comentávamos sobre a “restauração” cretina de Ecce Homo feita pela idosa de 81 anos, a Sra. Gimenez, em Borja, na Espanha.

Sim, o lance é que tal arte não teve seu fim esperado e, pelo menos no Brasil, está virando meme. O mais interessante é que isso ficará para sempre na memória, uma vez que diversos turistas visitam o santuário de Nossa Senhora da Misericórdia de Borja somente para observar o que chamam de arte.

Mas pensando bem, se Ecce Homo é a representação de Jesus Cristo em sofrimento, a velhinha hiperbolizou tal fato. Se Dizãs estivesse aqui agora diria “perdoe, ela não sabe o que faz”. Sabe sim, não vem não! Que eu me lembre, a arte é algo indecifrável e se eu pudesse analisar o trabalho de Cecília Gimenez diria que sua restauração foi baseada no estilo dadaísta. Oh, Santa Inquisição! Queimem-na!

O Mundo Perfeito dos Pixels

“…nós somos a sua cara em rede nacional, nós somos o terceiro mundo digital”. Capital Inicial me trás boas lembranças. Más se eu for pensar que recentemente, quando fui ao camarim vê-los, minha máquina estava sem flash e por esse motivo fiquei sem fotos, mas parasitei colegas próximos.

Pra ser sincera, me bateu uma saudade dos tempos que tínhamos de girar a manivela para bater a próxima fotografia.

Lembro dos conselhos da mamãe quando saía sozinha com a máquina (dela, por sinal), que além de me pedir para tomar cuidado e desejar juízo, dizia para eu bater muitas fotos, o que me limitava a bater 36 poses. Uma vez estávamos ela, minha irmã e eu num show (o artista é um ponto material despresível) e como estávamos muuuuito longe do palco, ela me pediu para subir em suas costas e bater uma foto bem bonita. Clac! Nada de zoom, apenas um cenário azul lááá no fundo com um pontinho iluminado no meio, pela dedução, aquele era o ponto material despresível, espero eu!

Oh, céus! Os 60 minutos mais agoniantes da minha vida eram os 60 minutos que antecediam uma revelação. Depois, sentava na praça alí perto, posicionava as fotografias e seus devidos lugares e as via. Era até engraçado os tempos de câmeras antigas. Presumo eu que mostrava a verdadeira essência de cada um, e, contradizendo metafóricamente os físicos, deixa de ser um objeto e torna-se a imagem real do que está sendo fotografado, sejam elas pessoas ou coisas.

Esses dias mesmo lá estava eu sentada no chão com uma caixa cheia de fotos antigas de quando eu nem ao menos tinha nascido, da minha primeira festa de aniversário, dos meus irmãos. Meu, isto é muito bom! Até que aguçou boas lembranças. Unbelievable! (Como diria o Alex, vulgo namorado)


(Pablo Picasso – Família)

Atualmente sinto que banalizaram a essência das pessoas. Todos são lindos, todos têm carinha angelical, todos são perfeitos. Em fração de segundos você visualiza a imagem, apaga, tira outra, visualiza novamente e diz: “Ah, nesta eu estou melhor!” Como assim? Aquilo é só uma câmera, não o Ivo Pitanguy!

A vantagem de ter-se uma câmera digital é que, além de não precisar grudar os olhos no visor, nos dias de domingo não precisamos revirar toda a cidade por um rolinho de filme, é só enfrentar a pouca disposição de ir até o computador mais próximo, enfiar o cabo na entrada USB, esperar descarregar todas as fotos e trocar a bateria.

Agora, quando o computador perde a memória ficamos sem uma maneira palpável de visualizar boas lembranças, embora se nós nos esquecermos de certos momentos, as fotografias nos devolvem a memória.


(Família Imperial – Conde d’Eu, Isabel e os três filhos,
D. Pedro II, Pedro Augusto e a Imperatriz Teresa Cristina)