doc o sal da terra | lisergia verbal

Doc: O Sal da Terra (isto não é um review)

Se você acha que este será um review sobre o documentário O Sal da Terra. Fique à vontade para ler, mas já aviso: isto não é um review.

Hoje estava uma tarde nublada, quando o ócio me atacou. Tinha coisas para fazer? Sim. Estava com dois podcasts para editar, alguns reviews para fazer, mas hoje estava um dia tão, tão, TÃO gostoso. E eu estava tão, tão, TÃO sentindo falta de mim, que resolvi deixar meio dia de deveres de lado e reencontrar a Cal que está perdida em meio a títulos de podcaster, filha, irmã, namorada, amiga, analista de SEO. A partir das 15h fui apenas eu.

Voltei com o velho costume de garimpar filmes de acordo com as categorias secretas da Netflix. Assisti a dois. O primeiro título dessa roleta russa cinematográfica foi “Tudo Por Uma Esmeralda”, um filme dos anos 80 super Sessão da Tarde, onde crianças dirigem conversíveis e homens vêem as mulheres como seres intocáveis, mas com inegáveis desejos nos olhares. Basicamente isso.

Durante a escolha do próximo, lá estava eu olhando pela janela e aquele clima de estação transitória me chamava para um programa ao ar livre. Escolhi um filme do qual o nome não me era estranho: O Sal da Terra. Me troquei, pausei nos créditos e saí. Talvez pelo clima frio, não havia muitas pessoas andando pelas ruas, nem mesmo em meu destino: o bosque. Sentei numa pedra pertinho do rio e ali fiquei. Desconectei os fones, deixei o celular de lado e ali fiquei. E fiquei. E fiquei. E fiquei. Me reencontrei. Desconectei os fones para conectar a alma. Precisava disso.

Voltei.

Voltei pelo caminho mais longo, porque é época de Natal e o centro da cidade fica admirável nesse período. Mandei um áudio para o meu namorado. Áudio que só chegou quando entrei na zona de wifi, vulgo minha casa.

Casa vazia.

Imaginei que o segundo filme precisava de uma pipoca.

Fiz.

Dei play e aí me embrenhei na vida de Sebastião Salgado.

Sem dúvida, esse foi o melhor documentário assistido no melhor momento possível. Sim, a vida e as obras de Sebastião Salgado são incríveis, mas o documentário apresenta muito mais que isso! Mostra a sensibilidade dos que escrevem em luzes e sombras, mostra a tragédia da maneira mais poética que já observei, mostra a felicidade honesta e mostra uma revolução humana gigantesca.

É interessante assistir à vida de um economista que resolveu se tornar fotógrafo e Lélia, sua esposa e arquiteta, sendo a melhor companheira nessa jornada arriscadíssima, a partir daí a vida do casal começa a se desenrolar e o risco se tornou a maior dádiva na vida da Família Salgado (depois dos meus pais, esses dois se tornaram a minha inspiração matrimonial). Nosso querido Tião vagueia pela Europa, América Latina, África (acho que as fotos mais dramáticas estão em todas as suas idas à África), as fotografias são apresentadas entre as filmagens, ora com narrador em off ora com a voz do próprio Sebastião Salgado. É um trabalho inspirador do começo ao fim que traz, para quem o assiste, um olhar sincero sobre a nossa conexão com o universo.

Para quem deseja assistir, já sabem onde encontrar e vale lembrar que o documentário só tem o áudio francês, vocês vão entender no decorrer das cenas. Bom, também acredito que fiz muito bem em me desprender do tangível antes de assistir ao Sal da Terra. Me senti um pouco como o sal da Terra.

Obrigada Netflix.

Obrigada Sebastião Salgado.

E agradeço aos que esperavam ler um review e, mesmo sabendo que não seria, continuaram a leitura.

Anúncios