Okay?

Okay?

“Passei a maior parte da minha vida tentando não chorar na frente das pessoas que me amavam. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si mesmo que se eles o virem chorando, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais que uma tristeza na vida deles.”

(A Culpa é das Estrelas)

Acabo de voltar de um cinema onde um universo de pessoas entraram sorrindo, com assuntos vindos de vozes continuamente adoráveis de se ouvir e saíram com olhos inchados e cordas vocais trêmulas. Me senti dentro de uma câmara de gás de Auschwitz tamanha era a agonia nos ruídos alheios. Vocês não atrapalharam… Também fiquei em prantos.

E com meu abadá ocular, voltei pra casa com meus olhos inchados. Chorava pelo filme, pelo enredo, por lembrar que chorei enquanto lia tal livro que auxiliou no roteiro. Talvez tenha assistido este filme num momento não tão agradável. Talvez tenha sido o momento exato. Visando a unanimidade dos fatos, é bem provável que o filme toque de alguma forma cada um que sentou naquelas poltronas de couro onde dois telespectadores brigam para apoiar seus cotovelos. Cheguei primeiro.

Agora, sentada no meio de uma cama de casal com lençol azul e uma cabeceira nada confortável, deixei de derramar lágrimas pela história e elas fluíram como se soluçar e lacrimejar fosse uma nova forma de respiração que aprendemos em aulas de yoga. Fiz yoga e não peguei esta aula. Ninguém pegou. É somente um composto de água, sais minerais, proteínas e gordura. Nada tem a ver com respiração, apesar de me parecer estranhamente normal.

Bem, o romance de John Green me despertou um amor gigantesco pelo fictício personagem de Gus, aquele que traga um cigarro apagado. Despertou um desespero por aquela que ultrapassou o trópico de câncer. Despertou meu amor por aquela que se sentou ao meu lado direito. Despertou assombro pela mudança repentina. Despertaram as lágrimas.

Eu chorei. E mais um vez… Ninguém viu.

Saudade da paixão

Certo dia em conversa mais pessoal com um professor da faculdade, estávamos falando sobre nossas desilusões amorosas e ele me veio com uma tese: a melhor época para o relacionamento perfeito é depois dos trinta, momento em que as pessoas compreendem que o sentimento vem com o tempo e os casamento acontecem de forma racional. Apesar de eu concordar com a ideia, afinal eu quero uma vida estável, um bom emprego, uma casa, um carro e filhos, eu sei que a probabilidade de eu conseguir isso com o hippie ali da praça é mínima. Mas sinto falta de não me preocupar com contas bancárias e simplesmente amar e construir tudo junto.

Quero sentir saudade, me preocupar porque sei que a outra pessoa também se preocupa comigo, confiar que mesmo longe ele sempre estará comigo, porque apesar de não estar presente somos prioridade um do outro. Quero aquele ciúme bom que cura só com um olhar, sem precisar discutir em casa. Quero deitar em seu colo sem precisar perguntar antes se posso. Quero que ele mexa no meu cabelo até que eu durma sem que eu peça, depois de muito observar ele percebeu que isso me faz dormir bem. O amor não precisa de provas, mas nos submeteríamos a provar nosso sentimento sendo eternos companheiros. Quero a proteção de um homem. Quero a diversão de um amigo. Quero o romantismo da pessoa mais apaixonada. E eu acho que pra isso não é necessário dinheiro.

Não me desfaço do amor racional, mas minha primeira intenção ainda não é uma troca de cofres.

Queria o Antônio

Sentada atrás de um monitor alheio aos prantos com uma cena triste de uma animação infantil que não seria consequência para tanto desespero, se não fossem os hormônios femininos que me consomem todo mês, religiosamente.

Não costumo falar sobre minhas fraquezas, acho esse assunto muito brochante pra uma madrugada, mas decidi exteriorizar. Conheço o amparo, o que me faz definir que hoje me sinto desamparada. Talvez seja a saudade das cartas com suas entrelinhas que diziam “eu te amo”, das flores roubadas e das lembrancinhas de festas que guardávamos juntos. Saudade dos versos plagiados de autores que nunca achei interessante, só que na sua voz soavam maravilhosos. Saudade da dança que nunca conseguia acompanhar e da vergonha que me fazia passar em público. Eu dizia que não gostava, mas você não precisava parar… Aquilo era bonitinho! Aquilo era meu amparo.

Sinto saudade dos Antônios que não me fazem falta.

Iatrofobia

Naquele momento ela se concentrou em um horizonte que já não estava mais ali e rezou um mantra improvisado sobre seu desespero, sentada naquele canto num degrau de metal que cheirava a ferrugem. Seu semblante estava tranquilo, suas pupilas dilatadas confundiam qualquer um que tentasse descobrir sua dor com sua misteriosa iris escura. “Não é nada”, mentiu ela.

Havia vida. Havia medo. Havia amor. Havia ódio. Ódio de si mesma. Ódio do outro. Uma ansiedade excessiva que corria por todos os membros. Apenas suas mãos, seus pés e sua boca não sentiam aquela sinergia. Estavam mortos. E a cada batida cardíaca, mais e mais eles adormeciam.

Paradoxalmente o que a fazia sentir-se viva era aquela taquicardia.
A mesma taquicardia que a fazia esfalecer.

Naquele momento, aos prantos, ela deixou-se um pouco de lado.
E dormiu.

Reconquista

Eu o chamo.
Ele vem.
É previsível.
É chato.

Gosto quando o grito ecoa vão.
Aguardo uma resposta imprevista.
Sei que ela não vem, mas espero.
A dor da saudade é sublime.
A falta se transforma no desejo da presença.

Eu o chamo.
O grito ecoa vão.
Eu o chamo.
Vem uma resposta imprevista.

Eu o chamo.
Ele vem.
É previsível.
É chato.

[♪] Ao som de Björk – “Hunter”

Verbo To Be

É engraçado o fato de as pessoas acreditarem piamente no quão veraz é o verbo Estar sem levar em contar que o verbo Ser é o mais relevante quando se diz respeito à moral de um ser humano.

Lembro como se fosse ontem das histórias macabras do Maníaco do Parque. Aquele cara que mostrava ser um honesto fotógrafo, com boas intensões sobre suas modelos, simplesmente o genro que toda mãe gostaria de ter. Além de parecer um tanto atraente (Urgh!). Ninguém sabia, mas dentro daquele pobre homenzinho havia um grande Serial Killer. Uma ou outra de suas modelos estão por aí, andando pelas ruas, com cicatrizes emocionais crônicas. E ele? Parabéns! Mostrou-se o homem mais honesto… E era?

John e Yoko. Não conhecia muito a história de amor deste casal até estar lendo o livro “A Balada de John e Yoko” que a propósito é muito bom! Mas voltando ao contexto. Sem guerras e sem bombas ao redor do corpo, faziam Bed-ins for Peace. Lançaram o álbum Two Virgins do qual John fez uma foto caseira dele e de Yoko nus. A tal da “obscenidade” foi tão sutil, mas tão sutil, que John e Yoko pareciam vestir-se de Yoko e John. E a imoralidade não foi tão imoral.

Isto É Tããããão Arquétipo!!!

As coisas são simplesmente “invalorizáveis” neste mundo. Por que somos obrigados a valorizar cristais antigos, ouro de gerações atrás, pratas dos tempos da vovó ou, até mesmo, aquela melhor roupa, aquele melhor carro, ou aquele simples enfeitinho de porta, se um dia os vermes vão nos comer vivos? (sim, vivos. Mesmo porque, uma vez, um cara chamado Deus me disse que quando morremos ganhamos vida eterna) E nossos cristais, ouro, pratas serão lançados a um leilão na cidade, nossas roupas serão queimadas e as justificativas serão sempre as mesmas: “quero ter ele apenas como uma lembrança boa.” Oh! Lembrança boa… E alguém consegue não falar mal até quando o enfermo está há sete palmos dos nossos pés? Esse milagre deixaria até o ato de ressuscitação no chinelo! Sem contar que nossos carros serão motivos de briga, mesmo porque, nos tempos de hoje, as pessoas querem as melhores coisas, e o pobre homem de terno de madeira, óbviamente, viveu a globalização a risca! Já estava me esquecendo, mas também tem o problema da casa… É simples, vamos demolir! Sim, eles farão mais um prédio para tapar “o céu que já foi azul, mas agora é cinza, o que é verde aqui já não existe mais”, como já dizia Renato Russo, e não é que estava certo!

É incrível, como a globalização nos molda materialistas e arquétipos de tal maneira que nem nós mesmos nos valorizamos… e simplesmente não aguentamos até o fim.