Ah, o sistema límbico!

Trezentos e noventa e nove dias em silêncio.

Quando seu neurônio é bombardeado por estímulos emocionais, fica difícil pensar. Não sei lidar com sentimentos e a única coisa que me sobrou depois daquele Abril foram as sensações e eu me entreguei a este desconhecido labirinto emocional.

Cheguei ao final.

Preciso voltar.

Dois mil e quinze conseguiu a proeza de me arrancar do âmago qualquer inspiração racional sobre minhas emoções.

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O que falam de mim?

Devo ser a pessoa mais sem graça para fofocas. Não consigo esboçar nenhum comentário além de “nossa, é chato mesmo” sem ao mesmo concordar com o que é dito. Simplesmente estou ali como um apêndice que se tirado o corpo continua funcionando na mesma maneira. Por que? Vai ver eu gosto de ser um órgão a mais a produzir longos glóbulos brancos.

Talvez seja a melhor pessoa a ouvir. Eles falam, falam e falam. Eu tenho a maior paciência em ouvir, ouvir e ouvir. Ora concordo, ora discordo, mas tudo ali no aconchego do cérebro, filtrando as informações mais importantes, porque sei que aos poucos eu os conheço mais e mais. Mas e daí? Bem, é chato mesmo…

O que falam de mim?

Acho que farei um estardalhaço qualquer dia desses. Geralmente eles só lembram do apêndice quando sentem uma tremenda pseudo dor renal.

[♪] Ao som de “A Gente Voltou” (Clarisse Falcão)

Meus pêsames, mas…

É triste a circunstância, mas não iniciarei meu gosto pelo Chorão por ele ter morrido e MUITO MENOS ouvirei Charlie Brow Jr. como nostalgia de um amor do qual nunca senti. Pessoas morrem e pra mim Charlie Brow sempre será um personagem das tirinhas Peanuts. Grata!

Agora eu me pergunto… Será que Sônia Abrão terá a pachorra de vasculhar durante meses o óbito do tal skatista? Ou dará só um breve comentário, e numa saída de mestre, discorrerá abruptamente sobre Hugo Chavez?

Comentário Inútil

Há muitos meses, por um problema um tanto grave, tivemos que mudar nosso telefone residencial. Mudamos. E várias pessoas ligavam: “Olá, eu gostaria de falar com a Cleuza? É que detectamos alguns débitos em atraso com a nossa loja.” Não achávamos estranho, simplesmente pensávamos: “É a antiga dona do número.” Sim!

Bom, há menos de uma hora, estava eu na cozinha de casa, o rádio estava ligado e eu estava tomando água, quando de repente ouvi o comercial de uma nova casa noturna daqui da cidade de Pindamonhangaba (sim, essa cidade existe!)

“Bola 8, o mais novo entretenimento de Pindamonhangaba! Venha tomar o melhor chopp ou fazer um happy-hour com os amigos. Para mais informações ligue 3642-8326”

Hey! Esse era meu antigo número!

Futilidade e Seus Scarpins de Oncinha

Que a internet é o veículo dominante quando o assunto é publicidade e jornalismo, isso todos já estão carecas de saber, mas ao mesmo tempo que muitas das notícias diárias são de muita importância, vira e mexe aparecem links tão insignificantes.

Certa vez eu estava na casa do meu namorado e ele abriu a página da UOL. Ele foi abaixando a barra de rolagem e lá estava em letras garrafais: “Gisele B. fez 27 anos! Vamos ver se você sabe algo mais sobre a modelo respondendo ao Quiz”. Será que a Gi vai convidar a pessoa que fizer mais pontos neste Quiz para o seu aniversário?

Bom Final de Semana!

Quem nunca ouviu esse clichê que atire a primeira pedra! Sem falar naqueles preguiçosos internautas pacatos que, com a esperança de encontrar seu amigo do peito, enviam scraps automáticos via “OrkutAlegria.com” com uma mensagem bem otimista: “Bom fds, amigo(a)!” Agora, minhas queridas criancinhas, o que vocês entendem por “fds”? Maldita tecla SAP que desaparece bem quando preciso dela. Bom, deixemos isso pra lá. Que os carentes do Orkut continuem com suas carências. Que os populares do Orkut continuem com suas popularidades. E que os “fds’s” continuem sendo bons finais de semana.

Neste momento eu só quero agradecer a esses carentes que doaram 10 segundos de seus domingos a fim de enviar o trivial “bom fds!” aos seus 798 amigos (eu estava entre eles), porque, depois de 2 anos e 7 meses de Orkut, o desejo de vocês foi, finalmente, realizado. Agradeço também ao vetor pelo qual intercedeu para que o pedido tão aguçado desses pobres mortais se realizasse com bastante sucesso. Muito obrigada!

E bom fds, amigo(a)!

Querido Diário…

“… ontem eu me senti tão inglesa quanto os cidadãos londrinos. Sim, a cerração estava imensa, e tudo estava lindo!
Logo que meu namorado saiu de casa eu entrei, fui fazer miojo, quando me deparei com algumas louças sujas e entre elas, todo os garfos de cabo azul estavam lá no meio de toda aquela louça suja, dentro de pratos com resíduos de comida do almoço ou dentro de canecões de ferver água. O miojo estava pronto, e quando fui comer, em vez de pegar aquele garfo de cabo branco eu resolvi enfrentar a água fria e lavar um garfo de cabo azul. Não, não fiz isso para economizar a louça, mas porque o garfo de cabo branco que eu supostamente pegaria, não combinaria com a colher de cabo azul que eu já tinha preparado para eu tomar aquele caldo. Maldita mania de simetria!
Ai, Diário! Sabe quando você está perto de alguém que conheceu há tão pouco tempo, mas sente como se já tivesse nascido ao lado dela? Sinto isso quando estou ao lado do meu namorado. Não te contei? Sim, estou namorando. E a nossa relação está muito boa, eu estou feliz, ele também, enfim, nós estamos bem e tudo está tranqüilo como nós gostariamos que fosse.
Agora a pouco acabei de mandar um e-mail para a Jack. Ela vai vir para cá nas férias, que bom! Estou morrendo de saudade dela e de toda a MÃO.
Caraca, Diário! Esses tempos eu tenho estado meio down, eu quero fazer tanta coisa, mas ao mesmo tempo não quero fazer nada e ficar alí naquele quarto cor-de-rosa. O que? Você não está sabendo? Tudo bem, eu te explico, sem problemas. Eu mudei de casa há 5 anos, dessa vez está tudo certo, e meu quarto é rosa, e mesmo eu não gostando nem um pouco dessa cor, até que eu gostei do design. Geralmente eu durmo alí na sala, minha cama tem andado meio bagunçada, nunca liguei para tanta organização, na verdade me acostumei dessa forma e tenho que parar, porque sempre tive um sonho de morar sozinha e minha mãe já me disse que se eu continuar com toda essa irresponsabilidade perante minhas organizações eu nunca conseguiria morar sozinha. Mas ainda concordo comigo mesma quando penso que para morar sozinha não se precisa saber arrumar a casa e lavar louça, mas ter dinheiro para pagar contas e para economizar e pelo menos saber se virar na cozinha. Tudo bem, pelo menos sei que ficarei mais 4 anos aqui em casa. Se eu tivesse me empenhado mais no cursinho, estaria em Presidente Prudente, São Carlos ou até mesmo em Campinas, fazendo o que mais sei fazer. Não, não é hora de se arrepender, e como ainda não inventaram uma Time Machine, vamos levando as coisas como elas estão e sem ressentimentos.
Ai, Diário! Faz muito tempo que eu não escrevo em você. Se não sabia até agora que eu tinha me mudado, não deve estar sabendo que agora estou fazendo faculdade, né?! Sim, estou fazendo Moda, porém com o pé direito em Publicidade e o esquerdo em Arquitetura. Meu Deus! Já estou com 18 anos e prestes a fazer 19… Estou ficando velha. Eu lembro da minha nostalgia dos 17 anos, quando pensava que fazendo 18, eu estaria próxima dos 20, que está próximo dos 30, que está próximo dos 40, que está próximo dos 50, que está próximo dos 60, que está próximo dos 70, que está próximo dos 80… Urgh! Odiava esta época.
Diário, eu tenho tanta coisa para te contar. Nesses últimos 9 anos tudo mudou. Ah! Lembra da Letícia? Sim, ainda sou amiga dela e ela está bem, está fazendo faculdade na Metodista de Relações Públicas. Eu lembro direitinho das minhas discussões com a Lê na 4ª série. Que coisa feia!
Eu conheci muita gente, fiz, além da Letícia, mais 3 melhores amigos, dos quais nunca me esquecerei, Jack, Neto e Mindú.
Está certo que eu tenho muitas novidades, mas estas são as principais que eu gostaria que soubesse, afinal, você é meu confidente e eu precisava falar. Te adoro!”

Velhos tempos que coisas simples aconteciam e lá ía a mocinha escrever em seu diário de folhas rosa-bebê, verde-água, azul céu, lilás e amarelo-pus. Eu lembro quando eu sempre ganhava Diários nos meus aniversários e achava o máximo! Tinha até cadeado. E mesmo que essas coisas não fossem tão seguras, eu contava cada coisa… Ah, ainda tenho saudade de quando escrevia em meus Diários. Todas as vezes que eu estava triste, feliz, com raiva, me sentindo inútil ou para escrever cartinhas de amor para aquele menininho que nem sabia que eu existia e até mesmo para contar algum mico bobo, tudo ficava registrado lá naquelas folhinhas temáticas. E mesmo com toda essa tecnologia com senhas eu ainda prefiro o desconfiante caderno. Eu adorava ficar na frente das lojas vendo aqueles diários nas vitrinas, agora as menininhas param nas mesmas lojas para ver o novo lap-top da Xuxa que acabou de sair da fábrica. É triste!

Lembro que a coisa mais interessante para as pessoas era pegar um diário alheio de lê-lo escondido do dono, inclusive eu tinha uma amiga que escrevia e depois rasgava todos os papéis. Estranha! Agora as pessoas estudam para serem hackers e descobrirem a vida e senha de uma vítima inocente, quando antigamente não se precisava de tantas técnicas para se abrir um simples Diário.