Primeiro do Plural

Certa vez, numa mesa de bar, uma amiga me disse: “quando se ama alguém, estar com a pessoa é como estar sozinho.”

À princípio parece o mais louco dos paradoxos, mas é a mais simples verdade. Quando se está sozinho, não existe pudor. Sozinho ninguém é ridículo, ninguém é louco por conversar com o espelho ou com o oxigênio do ambiente. Ninguém se importa com a roupa que veste ou com o rímel que borrou num coçar de olhos brusco. Sozinho não existe desconforto no silêncio absoluto. Sozinho não se exige cobranças ou permissões. Faz e pronto!

Pode parecer insanidade, mas em meu dicionário mental a expressão “estar sozinho” é completamente diferente de “solidão”. Solidão dói. Estar sozinho é revigorante, é prazeroso, é agradável. Solidão nos faz sair para fumar e voltar como se o pulmão fosse um fardo. Fumar sozinho faz do vício um prazer homérico.

O ato de estar sozinho nem sempre remete à singularidade, é estar à vontade em si. Mesmo acompanhado.

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