Iatrofobia

Naquele momento ela se concentrou em um horizonte que já não estava mais ali e rezou um mantra improvisado sobre seu desespero, sentada naquele canto num degrau de metal que cheirava a ferrugem. Seu semblante estava tranquilo, suas pupilas dilatadas confundiam qualquer um que tentasse descobrir sua dor com sua misteriosa iris escura. “Não é nada”, mentiu ela.

Havia vida. Havia medo. Havia amor. Havia ódio. Ódio de si mesma. Ódio do outro. Uma ansiedade excessiva que corria por todos os membros. Apenas suas mãos, seus pés e sua boca não sentiam aquela sinergia. Estavam mortos. E a cada batida cardíaca, mais e mais eles adormeciam.

Paradoxalmente o que a fazia sentir-se viva era aquela taquicardia.
A mesma taquicardia que a fazia esfalecer.

Naquele momento, aos prantos, ela deixou-se um pouco de lado.
E dormiu.

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