De manhã. De madrugada.

De manhã sou nostálgica, saudosista. Acordo com um aperto no peito que preciso de algo para trazer a descontração cardíaca. Toda manhã tomo banho, não pelo que os outros pensam e fazem, mas porque a água corrente é descontração. Pelo menos parte dela. Me descobri taciturna pela manhã. Minha mente vagueia observando a vida de maneira tão profunda que é impossível exteriorizar. Quando vem, vem como um turbilhão que não faz sentido algum, porque de manhã, além de adorar o passado, sou desorganizada. Talvez eu siga a natureza, o sol que levante tão devagarzinho que parece querer continuar no dia anterior. Eu acordo às vezes querendo ficar um pouco mais no dia anterior.

 

De madrugada sou enérgica, hiperativa, eloquente. O sono me libera endorfina e tenho as melhores ideias, faço as melhores artes e consigo ironizar de forma satírica o que se passa na sociedade. De madrugada tenho as melhores conversas. Sou sociável na madrugada! Não consigo pensar no minuto anterior, eu caminho junto com os segundos, vivo o que está presente. O que houve agora a pouco? Não sei. Agora a pouco foi há tanto tempo.

 

De madrugada me animo por ter vivido.

De manhã penso no que vivi.

De madrugada eu vivo.

De manhã eu penso.

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