Marcha das vadias

“A gente é vadia porque a gente é livre”

Em longas conversas com uma amiga, vivíamos falando sobre o fato de um dia amadurecermos e entendermos que sexo no primeiro encontro é algo normal e digno de pouco julgamento.

Discorrendo sobre tal fato eu me peguei contradizendo minhas palavras libertas através de atos puritanos de abrir as entranhas da oratória com o simples objetivo de afastar aquele tarado do primeiro encontro.

Sou adepta da boa conversa, dos olhares que despem e das mãos perdidas nada bobas. Gosto da madrugada misteriosa e da praça vazia. Gosto do que é singelo. Mais do que qualquer frase capciosa, sou atraída pelo silêncio acompanhado do sorriso no canto da boca e a cabeça pensa para o lado esquerdo. A neurolinguística é afrodisíaca.

A cada encontro me sinto uma virgem que morre de medo a cada minuto que passa, que muda de assunto quando percebe a proximidade, que perde a linha de pensamento quando a mão cai ao ombro, que gosta do beijo e ao mesmo tempo quer sair dali o mais rápido possível, por saber que o beijo é a melhor preliminar, mas quer continuar ali, porque querer sentir o prazer da preliminar.

E sem precisar caminhar em avenidas reivindicando minha liberdade, me descobro livre. Seria eu uma vadia?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s