Vou estar te estuprando, senhora!

Era quatro horas da tarde em um sábado pouco comum. Acordei às cinco para ir ao trabalho (há muito tempo não trabalho aos sábados), conversei com meu namorado, voltei para casa, tomei chuva por estar sem chave, o cachorro da vizinha quase avançou em mim e quando consegui entrar em casa feliz e contente… O telefone toca.

Eu com meu prato de comida na mão amaldiçoando o mundo todo por isso, lá fui eu atender. Ah! E chegou para mim hoje, ou seja, estou um pouco sem paciência. Voltando… Lá fui eu atender um telefone desconhecido de DDD 31. E o diálogo seguiu assim:

– Boa tarde, gostaria de falar com a senhora Ana Carolina?
– É ela mesmo, quem gostaria?
– É a “Fulana” da Caixa Econômica. Eu gostaria de fala para você sobre as vantagens de se possuir o cartão de crédito da Caixa Econômica, que chegará em sua casa em até quinze dias a partir da data de hoje.
– Ah, que beleza! Mas a minha conta é salário, ou seja, não tenho créditos.
– Então, porque é o seguinte, disponibilizamos para você a função créditos para você ficar tranquila na hora de comprar, para evitar constrangimentos na hora de pagar a conta e o cartão não passar.
– Mas meu cartão sempre passou. Eu sempre tenho dinheiros!
– Sim, mas é que tendo créditos você fica mais segura. Você é casada?
– Não, sou solteira.
– Ah sim, mora com seus pais. Então se um dia, por ventura, sua mãe se adoentar e você não estiver com dinheiro no momento, você pode ajudar também, né.
– Não posso, não moro com minha mãe e não tenho contato com ela.
– Ah, mas você um dia vai presentear seu pai e pode fazer isso com mais dinheiro.
– Ele não merece meus presentes, não falo direito com ele.
– Ah… Então… Vou fazer o seguinte, vou transferir você para o outro atendimento para fazermos o cadastro.
– Quê? Mas eu vou receber o cartão de crédito?
– Sim.
– Mas eu não disse que eu não quero?
– Tudo bem, disponibilizaremos o cartão de créditos para você e caso não queira, entre em contato com o seu gerente. Caixa agradece.

E o telefone diz: “tu tu tu tu tu tu tu tu tu…”

Diz pra mim se isso não é um estupro?

Óbvio! No momento seguinte prestei minhas sinceras reclamações a respectiva opção número quatro do zero oitocentos da Caixa Econômica, perguntando se é norma da empresa enfiar um cartão na sua caixinhas de correspondência sem seu consentimento ou se quando a gente diz não eu posso ficar despreocupada? Eles confirmaram o segundo item. Minha reclamação foi registrada no minuto seguinte pela gentil Meline (foi isso o que eu entendi) que me atendeu muito bem.

Enfim, em até cinco dias receberei uma ligação do tal DDD 31 para mais esclarecimentos. Isto é, em até cinco dias depositarei outro post bancário aqui no Lisergia Verbal. That’s great!

P.S.: Só pra constar, moro com meus pais e os amo muito. Beijo pai! Beijo mãe!

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