Despedidas

Nunca fui boa com despedidas. Ou eu choro demais, ou eu não choro nada pela pessoa não ter feito nenhuma diferença em minha vida. Já tiveram momentos em que numa despedida eu fingi estar triste, mas ao virar as costas eu ri. Era uma imensa felicidade. Sim, eu não gostava de você. Eu gargalhei.
Hoje eu estava endomingada. E descobri que além da despedida em si, existe também a sensação dela. O que não é nada agradável, mesmo porque, quando você diz tchau, adeus, até logo ou qualquer coisa do gênero você sabe que aquele é o momento da despedida. Então o tchau, o adeus e o até logo fazem sentido.
E agora eu estou sentada numa poltrona cinza, dentro de um cômodo um pouco bagunçado com os olhos cheios de lágrima, ouvindo o som da buzina de um trem que está passando logo ali. Agora eu estou sentindo a sensação de despedida, querendo abraçá-la, contar todas novidades, voltar rápido do trabalho para poder assistir tv com ela. Ao mesmo tempo não quero nada disso, porque sei que daqui a uma semana quando eu voltar direi “Oi!” apenas ao meu pai, a minha mãe e ao meu irmão. Ela já vai ter voltado para a terra dos sinos que falam.
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