O dia que eu engravidei

Toda mãe tem um poder de persuasão tão forte, parecendo até que todas as afirmações ou perguntas retóricas que elas nos fazem são legitimamente verdades. Sim! Igual ontem. Eu estava tomando banho e o chuveiro de casa estava horrível. Meu pote inteiro de creme tinha caído no banheiro (R$25 jogado pelo ralo junto com a água suja) e o banheiro estava fedendo a fumaça, chuveiro queimado, creme horrível, madeira molhada de vapor, azulejo pingado e um leve toque de Seda Co-criações para cabelos lisos. De repente batem à porta. É minha mãe. Nessa hora eu estava limpando a sujeira que eu fiz no box. Eu abri a porta e ela diz “Que cheiro de cigarro aqui, credo! Você está fumando no banheiro? Você sabe que esta bronquite é por causa do cigarro, né?!” E eu disse que não. NO ENTANTO, o sentimento de culpa que as mães conseguem colocar nos hemisférios cerebrais dos filhos é tão forte que eu esqueci que o creme tinha caído e eu só pensava na possibilidade de haver mesmo uma forma daquele cheiro ter chegado ali. Talvez fosse minha calça???
Mas por que eu contei isto?
Com 13 anos, estava começando a “ficar mocinha”, “receber visita”, “nadar no mar vermelho”, “ficar de chico”, “estar naqueles dias” enfim… Whatever! Menstruar mesmo, entende? E na segunda vez que iria “descer pra mim”, não desceu. Simples assim. Não veio. Não chegou. Nada. Nada. NAA-DAA! E eu pensei: ‘Vou falar com a minha mãe’. PIOR COISA QUE EU PUDE FAZER! Ela olhou bem pra minha cara e só perguntou o seguinte: ‘Você não fez nada com nenhum menino não, né?’
Siiiiiim! Aquele sentimento de culpa ficou estampado na minha testa enquanto eu me lembrava de um caso RARÍSSIMO que minha mãe me contou certamente para me assustar sobre a prima dela que ficou com um cara e só de abraçar engravidou. Imagina! Em 2001 as meninas de 13 anos eram bestas, pelo menos eu era. E enquanto a filha do Homem do Baú que agora não é mais estava sendo sequestrada em São Paulo, lá estava eu estagnada em Pindamonhangaba sem brincar, porque as brincadeiras que eu mais gostava poderia fazer mal para o bebê. O mais engraçado de tudo isso, é que sempre que a gente tá com um problema, este problema brota do asfalto. O tanto que eu vi de meninada grávida na rua era demais. E justo naquela semana passou uma reportagem no Globo Repórter “Gravidez na Adolescência”. Cool! Aí sim, até a Globo estava afim de ajudar a me animar com dicas maravilhosas de como criar seus filhos com 13 anos de idade. Obrigada!
Eu assisti. Não como entretenimento, mas como aprendizado. Quem sabe? Comecei a ler sobre gravidez. Quais eram os sintomas, com quantos meses aparece a barriga, como fazer para dar de mamar, quais os tipos de parto… Claro! Nada mais sensato para uma menina paranóica que começava a enjoar com o cheiro do achocolatado em pó e achava que o intestino mexendo por causa da digestão era um zigotinho fruto de uma reprodução assexuada.
Um belo dia, três semanas havia se passado e meu sentimento de agonia e frustração começou a se tornar amorzinho materno. E enquanto eu estava jogando Ski (aquele jogo que ninguém ganha do lobo que aparece no final) eu senti algo e corri para o banheiro. DESCEEEEEU! Eu gritei para avisar a minha mãe toda feliz e ela sorriu de uma forma bem adorável e me disse exatamente assim…
‘Cal, eu não falei nada antes, mas isso é normal acontecer nas primeiras vezes. Tem uma prima minha que menstruou uma vez e só foi menstruar de novo depois de vários meses, acredita?’
Ah, claro! Certamente foi aquela mesma prima que engravidou por abraçar o rapazinho lá. Já até sei o por que de não ter vindo mais a menstruação dela por uns meses…
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4 comentários em “O dia que eu engravidei

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