Carta a uma grande amiga

Le Rosa e Dogão acabaram de sair de casa. Meus pais estão dormindo e meu irmão também. Eu dei boa noite e disse “eu te amo”. Sim, eu os amo. Eu ía dormir também, mas são 3h59 e eu ainda não consegui pegar no sono. E cá estou eu… Acordada.

Eu estava pensando sobre uma pergunta retórica que você havia feito “Do que eu vou sentir mais falta quando você for embora? De abrir a porta do quarto e de saber que vc está bem, e em casa”. E você acabou saindo de antes de mim e sou eu quem abre a porta e vejo que você não está. É duro ver que você cresceu e que em quatro anos as coisas vão mudar e que talvez alguns pensamentos não façam tanto sentido e que a descarga no banheiro nos signifique apenas um estado fisiológico. Não é.

As pessoas me perguntavam se eu iria sentir falta de você quando você fosse embora e eu disse que sim, mas de forma superficial. Afinal de contas, faculdade é uma época legal e eu, como uma graduanda sei o que é interessante. Não percebi o quanto foi difícil falar algo além de um contido “te amo” durante aquele abraço de despedida. Admito que também não estava preparada para dizer “até logo” e tentei ficar um pouco distante, mas não deu. E neste momento eu ouço Sentimental do Los Hermanos e lembro de quando fazemos caras diferentes em frente ao espelho para ver o quanto somos iguais. De quando tomamos açaí nas tardes de sábado e sempre passamos nas lojas e pegamos várias roupas para experimentar e fazer ensaios fotográficos para o álbum de fotos do Orkut com roupas legais. Eu sinto falta da briga por eu pegar uma roupa emprestada sem pedir, pelo som alto no banheiro que não te deixa dormir ou assistir à TV. Sinto falta de me trancar no quarto com você para falar sobre aquele cara que eu gosto TANTO. De tomar seu tempo com perguntas das quais já tenho a resposta. Sim, eu confio em sua perspectiva. Quero contar para você como foi meu dia e ver sua histeria quando eu lhe disser que aquele cara me chamou para sair. Sim, nós ainda tomaremos nosso chá das cinco em um bar de Londres e falaremos sobre nossos maridos independentes durante um encontro repentino em uma calçada na Itália.

São 6h02 e eu ainda estou sem sono. Ah! Só para frisar: Não, os jornalistas jamais tomarão o lugar dos publicitários. E eu descobri que não tem tanta graça usar nosso lança perfume baseado em Rexona rosa e cantar desafinadamente alto “chega simples como um temporal” sem você. Amo você, irbã!

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