Paul McCartney no Brasil?! EU FUI!

Este post é retardatário, mas só agora (acreditem) eu consegui colocar as coisas em ordem para não escrever palavras e sim sentimentos emPAULgantes. Oh! Que trocadilho legal, né?!

Quando eu era pequena, um dos presentes que eu mais gostei de ganhar de aniversário foi um pianinho com músicas pré estabelecidas, isto é, não tinha como tocar errado (ótimo para os pais). E neste entretenimento infantil tinha uma musica da qual me emocionava muito e pelo sentimento, eu resolvi criar uma música com uma letra que falava sobre meu falecido avô. Eu tinha uns 6 anos e a letra ficou uma bosta, mas a intenção foi boa, afinal de contas para uma garotinha magrelinha, de cabelos gigantes e lusos com dentes pequenos a letra ficou impressionante. O que isto tem a ver com Beatles? EVERYTHING! Esta música da qual me emocionava eu descobri que era Let It Be, da qual me emociona até hoje! E assistir esta música sendo tocava ao vivo em minha frente foi mais que emocionante. Foi tão grandioso e maravilhoso que durante o show do Paul eu acendi meu humilde isqueirinho verde, chorei ininterruptamente, queimei meu dedo, olhava para o lado e todos com cara de bestas, pasmos com o surrealismo do momento.

Sim! Este show foi surreal de uma maneira tão realista que Dalí deva estar se revirando na tumba depois deste trocadilho besta que fiz agora, mas tudo bem.

Era 20 de novembro e eu tinha pagado o Planeta Terra, mas resolvi de última hora não ir, porque queria passar um tempo com minhas amigas. E passei! Foi a uma balada da faculdade (sim, foi beeem legal). Estava voltando de uma festa com duas amigas, todas de vestidinhos curtos, maquiagem quase toda fora do rosto, olhos minúsculos, saltos altos, penteados despenteados, sentadas desajeitadamente dentro de um Celta vermelho (óbvio que fiz piadas sobre celtas). Fui ver as horas em meu celular, mas algo estava atrapalhando a minha visão: o aviso de uma chamada perdida. Eu tirei o aviso, fui ver as horas (eram 4h38), voltei ao número perdido e liguei à cobrar de volta. Quem liga às 2h48 aceita uma ligação às 4h42, imagino eu. O cara atendeu!

Cal: Alô (bêbada)
O número estranho: Hello!
Cal: Quem está falando?
O número estranho: É Douglas.
Cal: Douglas? (as meninas gritam do lado falando besteirinhas e eu dou muita risada)… Aaaaah! Dogão? Como assim?! O que você faz acordado essas horas, meu? (mais risada)
O número estranho: Ah, quero te convidar pra sair com a gente.
Cal: (risadas) Pra onde?
O número estranho: Vâmo pro show do Macca?
Cal: Meu Deus, quem é esse?
O número estranho: O tio Macca, o Paul McCartney!
Cal: (gargalhada descontrolada) Que besta, meu! Para de mentir, mas eu quero ir sim se for verdade! (risada desconfiada) Eu tenho que pagar alguma coisa? Porque eu estou sem muitos dinheiros.
O número estranho: Não! A gente tem in
gresso, é só ir.
Cal: (“cardipasma” = cara de pasma) Meu Deus! Eu quero. Ai meu Deus, eu não sei. Você tem alguém mais para chamar? Se tiver pode chamar, porque eu tenho que avisar meus pais pelo menos.
O número estranho: Tenho, tenho sim. Mas avisa lá e vamos.
Cal desliga: tu tu tu tu tu…

Óbvio que deu tudo certo, eu fui, foi incrível e eu agradeço à Sukita e à Lê pela paciência. Afinal de contas, a proposta de domingo era passar o dia nadando e falando besteiras, no final cada uma passou em suas casas e eu fui no Paul, mas valeu a pena e as meninas entenderam que a piscina sempre estará aqui e o Paul não. Ohhh! Que gracinhas.

Well, entramos no estádio às 16h35. Tiramos fotos legais e as clichês de shows grandes “amigos em foco e palco desfocado atrás”, é a famosa foto “eu estava lá mesmo!”. E estávamos! Conhecemos fãs antigos dos Beatles, conhecemos uma menina louca, ficamos amigos dela e eu aceitei tudo o que ela oferecia (biscoitinhos, bala e até bolacha água e sal que ninguém sente vontade de comer). E enfim o show começou e o Paul entrou depois de 7 minutos de uma apresentação fabulosa de fotos e filmes dos Beatles que me emocionou muito.

“Oi! Tudo bem? Hoje eu vou tentar falar português, mas vou falar mais inglês.” Foi a primeira coisa que ele disse depois de ter entrado e cantado a primeira música. Não! Eu não traduzi para o português, ele falou em português. Não é perfeito? Entre outras músicas ele sempre acabava lançando umas palavras em português sem aquele sotaque “Dr. Rey”, mas bem brasileiro para um inglês de Liverpool. É engraçado saber que algumas músicas faziam-me lembrar de algumas pessoas, então em algumas músicas que eu sabia que determinas pessoas iriam gostar de ouvir ao vivo eu ligava para ela para que ela pudesse ouvir comigo. Liguei para a Jack, Tumaki, meu irmão, minha mãe e para a Jack de novo, desta vez para ouvir Hey Jude! junto comigo. Foi bem bonito.

Mas devo admitir que a parte mais surreal do show da qual me chocou, me deixou super abalada de tal forma que eu realmente entreguei minha alma a uma força superiora sem saber o que era, foi quando o Paul cantou Give Peace a Chance. Meu Deus! Me senti em Woodstock, eu via as pessoas lá na pista pulando e virando cambalhota feito loucas, pessoas de abraçando, um cara esquisito cantando para todo mundo ouvir e nós. Todos da plateia estavam com bexigas brancas, as luzes do estádio se apagaram e no palco só se via o símbolo da paz em branco num fundo preto e um foco de luz no Paul e de repente todos os instrumentos pararam de tocar e o Paul parou de cantar. Só a plateia clamava “All we are save, give peace a chance!” como se fosse um mantra. Sim! Sabe quando você sente aquele arrepio estranho, quando sua voz já não é sua voz e sente que John Lennon está presente naquele exato momento no meio de todos que estavam ali? Céus! Foi muito mais que isto, foi completo. Foi perfeito! E eu chorei. Sim, eu chorei.

Ao final, quando cheguei em casa, olhei para o teto e pensei: “eu sonhei ou estou louca achando que fui ao show do Paul quando na verdade só assisti pela tv?” foi aí que eu peguei o ingresso e fiquei olhando durante longos e desesperados dois minutos, quando caí em mim e antes de me lembrar que estava cansada e precisava dormir para seguir minha vida no dia seguinte eu sorri e me lembrei de TODOS os momentos e fiquei ansiosa para contar TUDO sobre o melhor domingo de minha vida. Obrigada Dogs, Lê Rosa e Bruno.

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