A descarga

Certa vez estava eu em casa sem muito o que fazer. Estava sentada naquele sofá preto de fibras que imitam a couro. Pernas para cima e cabeça no braço daquele sofá de três lugares. Estava confortável. A iluminação ambiente deixava a sala ainda mais aconchegante. E estava passando um filme romântico do qual não me recordo o nome, mas era bonito o bastante para me emocionar e fazer com que eu me colocasse dentro daquele enredo. Sim, era bem bonito mesmo. O filme acaba e eu continuo ali estática, esperando que uma força vinda de não sei onde pudesse me levantar e me levar dali. Eu precisava disto. Passados 15 minutos da tal moleza eu resolvi me levantar. E fui até o banheiro. O filme havia terminado há 15 minutos e eu ainda estava me sentindo diferente. Eu andei até o banheiro. Estava sozinha em casa. Eu pude esscolher o banheiro que eu quisesse. Então escolhido o meu mesmo. De repente eu ouço alguém batendo a porta da sala. Era minha mãe. Eu estava ali dentro daquele cômodo quadrado com 1,8m de lados havia 20 minutos. Me limpei. Esqueci a descarga! Pronto. Não falta mais nada. Abri a porta e lá estava minha mãe cheia de sacolas na mão. Conversamos e voltei para o banheiro. Fui ver como estava aquele ambiente. Papel higiênico intacto. Vaso sanitário intacto. Pia intacta. E olhos inchados. Passei 20 minutos dentro daquele cômodo quadrado com 1,8m de lados sem fazer absolutamente nada. Chorei.

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